sábado, 25 de março de 2017

A trinca para jogadores iniciantes



Diversão garantida com esses três.
     Geralmente, durante as férias, levo um jogo na mochila para caso encontrar uma galerinha que nunca ouviu falar de RPG, ou que já tenha alguma noção, mas que nunca sentou pra jogar. Olhei para minha estante e percebi que existem três títulos que uso bastante para isso: Dungeon World, 3D&T Alpha e Old Dragon. A saber, por pura questão de bom senso, optei pelos seguintes requisitos:

1 – o livro está disponível oficialmente em português;
2 – o livro não está esgotado, ou seja, posso apresentar o jogo e é viável de ser adquirido sem o estigma de “artigo raro” entre colecionadores.
3 – que exista uma fan base engajada: com muitas adaptações e material disponível gratuitamente.

Manual 3D&T Alpha

Esse RPG despensa apresentações. Nascido nas páginas da ressuscitada Dragão Brasil, o jogo é aberto e genérico. Jogue uma campanha futurista, medieval, baseada em um filme, em um anime. O que quiser. O jogo possui pacotes de vantagens, desvantagens e perícias que podem ser customizados ao extremo. Seu sobrinho não para de assistir Naruto no tablet? Arrume uma adaptação do anime (ou faça a sua própria) e chame-o para jogar. Vale lembrar que o jogo está disponível no site da Jambô Editora para download gratuito. Mas acredite: vale a pena ter o livro na mão, pois o jogo exercita a modularidade por parte do Mestre, ou seja, filtrar o que é permitido ou não na campanha que dará início. Bônus: só usa dados de 6 faces. 

Old Dragon

Uma versão amigável e honesta para iniciar no Dungeons & Dragons. As “vacas sagradas” estão todas lá: os seis atributos, as classes, as raças, equipamentos, magias e monstros a serem combatidos. É um RPG completo, mas existem incontáveis materiais para expandir o livro básico, mas isso é um processo natural conforme o grupo for se sentindo à vontade com o jogo. Como acontece no 3D&T, a comunidade de jogadores é muito unida, compartilhando ideias, aventuras e regras caseiras. O jogo necessita do conjunto de dados completo do D&D (que hoje em dia é fácil obter) e é um livrinho bem ilustrado e formatado de maneira portátil.  Novamente, a REDBOX acerta: disponibilizando gratuitamente o livro básico. Existe um grupo na minha cidade que joga desde o lançamento e não quer outra vida! Old Dragon é puro amor!

Dungeon World

Alguns podem torcer o nariz pois Dungeon World tem aspectos narrativos que desconstroem muito do que foi estabelecido no hobby, mas o livro é tão bem escrito e organizado que isso não compromete em nada como porta de entrada para novatos. A estrutura de movimentos básicos, como Desafiar o Perigo, Matar e Pilhar, Disparar ou Discernir Realidades são bem intuitivos e divertidos de colocar em prática. É impagável um personagem entrar em uma casa abandonada, fazer um teste de Discernir Realidades, e poder perguntar para o Mestre (que deve responder honestamente): “O que aconteceu aqui recentemente?”. Dungeon World entra nessa seleção por ser um paradoxo, uma anomalia: um jogo robusto, mas ainda simples. Um jogo que consegue emular a mais clássica e colorida fantasia, até o mais sinistro que o gênero dark fantasy tem a oferecer. Aqui temos outro exemplo de comunidade de jogadores unida. Alguns entusiastas do jogo fizeram adaptação até de Star Wars para o Dungeon World. Não deixe de conferir.

Essas são apenas três sugestões, que por experiência própria, deram ótimos resultados em grupos de novatos. Adoro outros jogos, mas do que adiantaria indicar um jogo em inglês para jovens que ainda não entendem o idioma? Do que adiantaria "pagar de hipster" e indicar jogos fora de catálogo desde 1986? Livros que demandam um investimento grande de dinheiro para jogadores que ainda estão na escola? Acho que não...

Abraço a todos e bons jogos!       

quarta-feira, 22 de março de 2017

Papo de Monstro - Beholder

Olá, pessoal! Meu nome é Miguel Peters e gostaria de lhes apresentar a mais nova coluna do blog Tomos de Sabedoria: O Papo de Monstro!

O objetivo dessa coluna é simples: Vamos analisar os monstros de diversos produtos da nossa cultura pop (RPG, jogos, quadrinhos, desenhos, filmes) para entendermos um pouquinho mais sobre eles. Saber de onde vieram suas inspirações, por que foram criados, esse tipo de coisa.

Para começar em grande estilo, vamos falar de um dos monstros mais icônicos e famosos do RPG de mesa. Uma criatura tão marcante que já foi retratada em filmes, jogos e diversas outras mídias.

A criatura flutua poucos metros à frente de vocês. Um corpo redondo com um grande olho que nunca pisca. Logo abaixo, vocês podem ver uma enorme boca, repleta de dentes muito afiados. Desse corpo flutuante saem diversos tentáculos, cada um deles possui um pequeno olho em sua ponta...

O Beholder (ou observador, em português) foi criado por Terry Kuntz e Gary Gygax e fez sua “estreia” na capa de Greyhawk (confiram a imagem abaixo), o primeiro suplemento lançado para Dungeons & Dragons, em 1975.

O Beholder na capa de Greyhawk

Segundo Rob Kuntz, o Beholder imaginado por seu irmão não era exatamente igual à versão que Gygax acabou usando em Greyhawk.

“O Beholder de Terry era bem diferente, principalmente pela forma que meu irmão o apresentou: um conto curto, que detalhava sua ecologia e família. (...) Na ideia de Terry, eles eram criaturas raras e mal compreendidas; vivendo sozinhas em áreas isoladas. Ao receber o material de Terry, Gygax o tornou mais genérico, o que deixou a criatura menos impressionante.”
(Traduzido de - http://odd74.proboards.com/post/58064)

Após essa primeira publicação, o Beholder foi se tornando um dos ícones do D&D e da cultura pop em geral. Sites como o io9 e revistas como a Wizard já o colocaram como um dos monstros mais memoráveis dos jogos de RPG.
Claro que esse sucesso não ficaria restrito às nossas mesas e mentes. O Beholder já se fez presente em diversos filmes e desenhos animados. Sem dúvida, a mais famosa aparição desse monstro na cultura pop é sua participação em Caverna do Dragão; o monstro tem um episódio inteiro dedicado a ele. O observador também faz uma ponta no filme oficial de Dungeons & Dragons.
O Beholder em Caverna do Dragão 
Além disso, o Beholder também inspirou criaturas de outros autores, como o monstro flutuante de Aventureiros do Bairro Proibido e o “Espiada” de Apenas um Show.

Espiada, o "Beholder" de Apenas um Show

Aventureiros do Bairro Proibido 
Atualmente, o Beholder é tratado e protegido pela Wizards of the Coast como uma das principais identidades visuais e criativas de Dungeons & Dragons. Demonstrando, sem sombra de dúvidas, o quão icônico esse monstro se tornou na mente de todos os jogadores.

Bom, pessoal. Essa foi nossa primeira coluna. Espero que tenham gostado.
Se quiserem saber mais sobre mim e ler mais alguns textos, me sigam no Twitter: @miguelpeters.

Até a próxima!

domingo, 19 de março de 2017

Loja de itens mágicos ou não?

"What can I do for you?"
     Quando vou iniciar uma nova campanha, sempre me pergunto se permitirei a existência de um comércio viável e estabelecido de itens mágicos para os aventureiros. Os mais puritanos, torcem completamente o nariz para esse tipo de recurso. Para eles (e para o movimento OSR como um todo), itens mágicos devem ser únicos. Todos eles foram confeccionados por alguém por algum motivo (geralmente nefasto). Gosto muito desse tipo de abordagem. Acontece que eu TAMBÉM gosto da idéia de mercadores exibindo suas mercadorias fantásticas e os personagens gerenciando maravilhas recém descobertas. Obviamente, é uma questão de gosto.
     Acredito, porém, que o fator que mais pesa entre essas duas propostas é o cenário ao qual se dará a aventura (ou campanha). Essa decisão por parte do Mestre está diretamente ligada à identidade do cenário escolhido: um cenário low fantasy (Era Hiboriana de Conan, por exemplo) dificilmente acolherá um sistema comercial tão simplista. Digo simplista, não para difamar, mas para deixar claro, que não é raro em mercados de Shadizar, surgirem vendedores de lótus e outros itens com propriedades místicas e desconhecidas, mas geralmente eles são ferramentas ligadas à trama, ou seja, fazem a história seguir adiante ou garantem pistas para eventos vindouros. Entretanto, ainda usando o mesmo exemplo, não há a menor possibilidade de encontrar com esses vendedores, genéricas “armas +1, armas +2”, etc.
     Já em cenários high fantasy (Eberron, por exemplo), acredito ser possível e até interessante a existência desse escambo mágico. Ora, se o personagem olha para o lado e vê plataformas mágicas levando citadinos para diferentes níveis e distritos da cidade, trens movidos por energia Elemental e magos utilizando suas aptidões sobrenaturais nas ruas, por que não haveria uma loja de itens mágicos no Distrito Comercial? Verossimilhança, a meu ver.
     Como mencionei, acima, é uma questão inteiramente pessoal. Só acho digno de nota, pois me divirto com ambas as propostas. Em uma longeva campanha de Dungeons & Dragons 3ª edição, joguei com um mestre que fazia como no jogo eletrônico Diablo: os itens mágicos eram separados por nível. Você até podia no 3º nível, encontrar uma arma mágica com bônus de 2, mas só seria possível dominar (e portanto, utilizar) a arma, a partir do 6º nível. Antes disso, a arma só poderia ser usada para trocar por outros itens de valor igual ou inferior a mesma. É uma medida interessante para ter um pouco mais de controle sobre os itens adquiridos pelos jogadores.
     E quanto a vocês? Como funciona o escambo mágico na mesa de vocês? Ele existe prontamente, é limitado ou inexistente?


Abraço a todos e bons jogos!