sexta-feira, 23 de junho de 2017

Nostalgia: Titan o mundo de aventuras fantásticas




 
Nascido nas páginas dos famigerados livros-jogos, Titan, como cenário de fantasia estreou em 1982, com a publicação do Feiticeiro da Montanha de Fogo. Criado pelos britânicos Steve Jackson (não confundir com o xará americano criador do GURPS) e Ian Livingstone para suas campanhas caseiras e publicações.

 No Brasil, deu as caras nos anos 90, trazido pela Editora Marques Saraiva e foi seu sombra de dúvida, a porta de entrada de muitos para o nosso hobby. Lembro que foi o Miguel Peters (parceiro do blog) e que emprestou O Feiticeiro da Montanha de Fogo por alguns dias. Morri várias vezes e não consegui terminar, mas foi uma experiência muito boa, pois sabia que ali havia algo de especial. Mesmo que fosse uma experiência inferior a jogar RPG propriamente dito, a ambientação era muito rica. Os desafios bem escritos e os monstros e personagens encontrados, carismáticos. Depois desse episódio, perdi contato com TITAN por algum tempo.

A arte dos livros é incrível1 Ainda mais com o advento da OSR!

Fichas simples me fazem feliz.
 Fui me deparar novamente com o cenário de campanha de maneira amadora: através da aventura “As Sete Safiras da Hidra” para Ad&d que fez sucesso nos downloads da “internet-mato” dos anos 90. Ali citavam personalidades e locações citadas nos livros jogos. E dali descobri que havia de fato um cenário de campanha publicado em português. Comprei finalmente em uma livraria do Centro do Rio de Janeiro o livro “TITAN – o mundo de aventuras fantásticas” e fiquei fascinado rapidamente pelo material, pelos seguintes pontos:

- Um cenário mais “sujo”: naquela época os únicos cenário de campanha que possuía era o colorido e heróico Forgotten Realms e o nobre e valoroso Mystara (não me entenda mal, gosto de ambos), mas Allansia era um lugar de traições, deuses caídos, corrupção, peste, Porto Blacksand com seus becos imundos fedidos a peixe podre, deuses traiçoeiros e não apenas maniqueístas como em outros cenários.

- Livro 100% descritivo. Isso mesmo: não havia nenhuma regra. Eu poderia usar com meu querido Ad&d, com o sistema Daemon, ou com o GURPS (os únicos jogos que tinha naquela época). Ricamente detalhado, o livro te inspirava com mapas, belas ilustrações (que hoje em dia possuem aquele tão desejado apelo old school), descrições do panteão, um calendário completo, relato das guerras mais famosas do cenário e até da gênese do mundo. É impossível ler uma página sem ter ideia para um aventura.

- NPCs instigantes: é difícil esquecer nomes como Lorde Azzur, o tirano de Blacksand, Barão Sukumvit, O Arquimago, Shareella,a feiticeira da neve, Balthus Dire, entre outros. Você acreditava que o NPC é poderoso não pelas estatísticas e atributos altos (até porque não havia nenhuma), mas sim pelo seu histórico, seus feitos e sua personalidade. Verdadeiramente, uma lição para os RPGs de hoje em dia.

A saber, o material publicado pela Marques Saraiva foi vasto, mas como aconteceu com o Ad&d da Abril Jovem, o produto encalhou. Muitos lotes lacrados foram vendidos para sebo mas hoje em dia, com o status de cult, vejo os livros sendo vendidos a preços altos. Na minha opinião, existem 3 grandes pérolas no meio desse acervo: Out of Pit (belíssimo bestiário do cenário, ao qual vale um post só pra ele), Dungeoneer (RPG completo e simples para usar juntamente com o cenário apresentado) e o romance “As Guerras de Trolltooth” (uma narrativa dark fantasy que parece ter saído do Apêndice N!).

TITAN como cenário básico de DCC? Sim ou claro?

No mais, em tempos de OSR, vale a pena adotar TITAN como seu mundo padrão: Seja jogando Ad&d, GURPS, DCC, Dungeon World. 

Abraço a todos e bons jogos!  

terça-feira, 20 de junho de 2017

Honra entre ladrões para DCC!



Gray Mouser para alguns, Slinker para outros.
Abaixo, apresento uma regra caseira específica para as classes de Ladrões (e possivelmente Halflings) no Dungeon Crawl Classics. A saber, o Ladrão tem uma relação bem especial com o atributo Sorte. Ou seja, a cada ponto queimado, ele adiciona seu Dado de Sorte, que aumenta com o passar dos níveis. Acontece, que ele recupera em uma taxa mais acelerada que os outros. Por noite, ele recupera pontos de sorte igual ao seu nível. Na minha regra caseira, a recuperação está atrelada diretamente ao vínculo do Ladrão com a Guilda. Exclua a regra de recuperação de Sorte normal. Com essa regra alternativa, o personagem recupera por lei respeitada da Guilda de Ladrões da cidade onde está atuando. 
É indicado premiar ao final da sessão.



Lei da Guilda
Pts. de Sorte
Se a lei for quebrada
Um ladrão nunca delata seus camaradas. Mesmo se for capturado pelas autoridades ou seu plano descoberto.


+3
Algum mercenário da Guilda é enviado para “ter uma conversa” com o personagem.
Um ladrão afiliado nunca esconde “quanto fez” em seu último trabalho. O resultado de suas missões são passados para a Guilda.


+2
O ladrão passará a ser visto como não-confiável pelos outros membros da guilda.
Um grupo de ladrões deve dividir sua parte no trabalho igualmente. De preferência, os valores devem ser definidos previamente.

+2
No próximo trabalho solicitado pela guilda, o ladrão ficará sem sua parte.
Um ladrão honrado arcará com despesas referentes a subornos, fianças e qualquer outro custo para tirar um camarada da cadeia.


+3
Se o personagem se meter em alguma enrascada, estará por sua própria conta. Além disso, pode ganhar um inimigo.
Se o ladrão possuir informações valiosas sobre um determinado trabalho, deve compartilhar. (possíveis perigos, armadilhas, mapas, etc)



+2
Se descoberto posteriormente, o ladrão passará a ser visto como não-confiável pelos outros membros da guilda.
Ladrões profissionais se ajudam mutuamente, independente das diferenças entre si e até mesmo afiliações.

+4
O personagem certamente ganhará um inimigo. No caso, o camarada ao qual recusou ajuda.

Obviamente, tal regra funcionará melhor em um cenário parecido com Lankhmar, onde a Guilda de Ladrões é muito ativa. E lembre-se de avisar previamente ao seu jogador que está trocando as regras de taxa de recuperação de Sorte. Já usei essa regra caseira em minha campanha e o resultado foi bem satisfatório: deixou a Guilda mais presente tanto no background da aventura, quanto mecanicamente.

Abraço a todos e bons jogos.